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23 maio 2015

  Confesso que é difícil falar das minhas inseguranças, e não sei porquê, mas quando se trata de ti complica trezentas vezes mais, sem qualquer exagero. Sonhei há alguns dias atrás uma cena tirada de um filme, ou melhor, digna de novela. A minha mãe sempre me disse que tenho um jeito inacreditável para imaginar tudo aquilo quase impossível de acontecer. Escusado será dizer que para mim tudo faz sentido. Ver-te com outra pessoa, de todas as maneiras possíveis e imaginárias. 
  É por isso que não gosto das minhas longas viagens de autocarro. Tenho tempo mais que suficiente para as minhas inseguranças subirem do patamar absurdo em que já se encontram. Acabo por ficar de tal forma perturbada que me isolo nos meus dias longe de casa, longe de ti. E sabes o que me mata? Esperar a semana toda sozinha, com os meus medos, para te ver algumas horas no fim de semana. O tempo nunca é suficiente perto de ti. Hoje é sábado, e eu tenho saudades tuas.

10 janeiro 2015

 Ontem lembrei-me de ti. Não que se tenha devido a alguma coisa boa, porque não foi. Na verdade, não há qualquer coisa feliz que me lembre sem que prevaleça na minha mente tudo o que se passou depois disso. 
 Todas as pessoas entram com um propósito na nossa vida, e nem sempre significa que permaneçam, às vezes servem "apenas" para nos passar uma mensagem, uma lição, ensinar a ver as coisas tal e qual como elas na realidade são. Por isto, obrigada. 
 Começou um novo ano e, felizmente já estava bem psicologicamente no que toca a ti, ao teu nome, às tuas atitudes e à tua presença. Sinto que já não sei nada sobre ti. Será isso possível? 
 Algumas pessoas, simplesmente não foram feitas para ficarem na nossa vida.

07 dezembro 2014

 E se voltasse atrás? Absurdo imaginar uma coisa que não é de todo possível, mas perco-me só de pensar se algum dia eu tivesse feito algo diferente... 
 Então eu penso, e se naquela noite eu não tivesse entrado no mesmo café que tu? E se eu tivesse recuado, como sempre faço, quando insististe em me manter por perto? E se no meio de tanta rapariga, qualquer outra senão eu, aparecesse primeiro na tua vida com o mesmo impacto que eu apareci na tua? 
 Apenas pergunto, e se tivesse sido diferente?

16 novembro 2014

 Nunca me tinha sentido assim. O meu coração palpitava desde madrugada, quando nenhum sinal teu teimava em não aparecer. Atendi a chamada de um número que não conhecia e eras tu. Num primeiro momento sorri, suspirei de alívio e pensei que mais uma vez estava a preocupar-me sem razão. Mas estava errada. Pela primeira vez, todos os maus pensamentos que me passavam pela mente estavam a tornar-se reais. A tua voz tremia, choravas compulsivamente. Deste lado, simplesmente paralisei. Digamos que fui metade bem sucedida: aguentei todo o tempo que te ouvi, no final, desabei. 
 Sou demasiado fraca no que toca sequer ao ouvir o teu nome. 

13 agosto 2014

  O sentimento mais estúpido que podia sentir por ti: saudade. Habituei-me tão mal às tuas idas e vindas indefinidas que agora que colocámos um ponto final, sinto falta daquela possibilidade de ainda voltares. É uma estupidez, não é? Sofri tanto e, quando finalmente tudo indica que chegou o fim, eu desejo um novo remeço vindo de lá não sei onde. Devo estar a endoidecer. É que eu não quero dar-te essa oportunidade de remendares o que fizeste. Não quero, não mereces e não preciso. Estou bem assim. Mas não sei, foram quase dois anos desta maneira, parece que nada fez sentido, mas tudo o que foi bom fica com toda a força. Acho que me estou a agarrar a uma coisa que vai, inconscientemente, desvanecendo da minha memória.
   Tenho saudades de uma coisa que não foi saudável para mim, a nossa amizade. Que o tempo cure tudo o que estragaste em mim.

25 julho 2014

  'Saudades' dizia o ecrã do meu telemóvel. Olhei o remetente e sorri. Não o fiz por seres tu, mas por já nem me lembrar mais de ti. Foi um processo longo e precisei de errar muitas vezes para aprender a lidar contigo sem me relacionar diretamente. 
  Queria que tivesse sido mais fácil. Magoei-me e magoei a única pessoa que me ama. Ele alertou-me vezes sem conta. Não me queria ver sofrer e lutar por alguém que não merecia nada de mim. Mas eu teimava em que ficasses, cheguei mesmo a não ter argumentos para explicar o porquê. Apenas que ficasses... 
  Houve momentos em que as correntes eram contrárias. Mas nem isso eu via. Lutava para que a amizade permanecesse e tu afastavas-te. Uma ação que acontecia quase em simultâneo e que baralhava todo o meu sistema, mas era óbvio para ele, e eu recusei a sua ajuda.
  No entanto, sempre ficou do meu lado, apoio-me nas minhas escolhas e disse que eu devia lutar se fosse isso que o meu coração dizia, e no momento seguinte chamava-me à razão para que eu abrisse os olhos e eu não quis. Provavelmente alguns dias mais tarde eu estaria triste e magoada. Ele perguntava-me se me encontrava bem e os meus olhos molhados mentiam, 'estou amor'. Abraçou-me só.  
  Sei que nunca irás ler uma só palavra deste texto. Mas se lesses, o meu desejo é que abras tu agora os olhos, e penses que mais ninguém merece o que me fizeste a mim. Quantas vezes mesmo é que foste embora e eu estúpida disse para ficares? Quantas vezes voltaste e eu estava aqui pronta para ser o teu porto de abrigo? As lágrimas caiem-me pelo rosto só de pensar o quão parva fui por te querer ter por perto. 
  Não me magoes. Nunca tomes a amizade por garantida. Não penses que podes ir embora e simplesmente voltar sem explicação. Não te lembres de mim.  Não voltes sequer.

07 julho 2014

  E os dias passaram. Nada parou. Nem sei onde me encontro agora. 
  Quero acreditar que estou numa situação menos complicada que no meu ano anterior, no entanto não me sinto livre disso e a sensação não é a melhor de sempre. Decidi manter a minha vida em modo de espera  e parece que acabei por perder um ano da minha vida. 
   Há coisas destinadas para cada um de nós. Quem sabe se o melhor ainda está para vir (sinto-me muito melhor se pensar assim).

18 maio 2014

Fico orgulhosa de mim mesma por ter suportado tudo isto até agora. Não é fácil ver aqueles que nos são mais próximos a ir ao poucos, para um lugar diferente do nosso. A distância que era reduzida a nada é hoje quase incalculável. Sei que muitos nunca compreenderão o porquê de eu mesma me ter afastado.
No meu lugar entraram outros tantos. Para esta parte sempre me mentalizei. Desde o primeiro dia. Juro. Tomei consciência que as cinco vezes por semana que os via, passariam a cinco por mês, e algum tempo depois o mês talvez se alongasse por uns três ou quatro longos meses. Até hoje passaram nove e muitos deles... Onde estão vocês?
Eu estou no mesmo sítio, mas não fico para sempre, talvez um dia seja tarde para voltar. Desejo honestamente que esse dia possa chegar. Quero ir embora exatamente da mesma maneira que vocês foram, mas eu, magoada.

02 abril 2014

  Comecei a sentir a pressão de ter de me habituar à ideia há cerca de dois meses atrás. Eu acho que não valeu de nada, já quase passaram os sessenta dias e sinceramente, o que mudou em mim?
  É verdade, faltam dois dias completos e mais algumas horas, que comparado com os meses que ainda ontem tinha não é absolutamente nada. Penso que devia ter-me mentalizado de uma maneira diferente enquanto tive tempo, agora, com um intervalo curtíssimo, vejo-me na obrigação de aceitar sem poder reclamar.
  Admito, começo a ficar um pouco assustada há medida que os dias passam. O que farei eu enquanto te divertes fora do país? O que farei eu contigo fora do país? É que a somar ao facto de não te ter por perto vem a insegurança absurda, os ciúmes e o poder de imaginação bastante avançada que eu adquiro sempre que este tipo de situações. 
  Eu aguento, vais ver.

20 março 2014

Uma ação vale mais do que mil palavras. Mas uma ação é temporária e as palavras ficam para sempre.

15 março 2014

  Não fazia mais sentido. Nenhuma palavra, por melhor escolhida que fosse ia servir para mudar o que já se encontrava irreparável.
  Eu estava perdida para ti, tal como tu estavas para mim. Não havia solução que fizesse tudo aquilo ser aproveitado. Não havia, mas nós simplesmente não aceitávamos. Era como se obrigássemos peças erradas do puzzle a se ligarem; como se inventássemos uma forma temporária de permanecermos lado a lado. 
  Algum tempo depois a peça caía, tal como eu imaginara. Insistíamos mais que uma vez para aquele falso momento se aguentasse por mais uns instantes. Não sei porque o fizemos. Talvez fosse preciso errar na equação três e quatro vezes para entender que não havia mais solução possível.

07 fevereiro 2014

  Adormeci com lágrimas nos olhos. O meu coração, apesar de mais calmo, continua a doer. Custa respirar e cada vez que fecho os olhos ouço as tuas palavras gritarem-me aos ouvidos. Eu mereço:  errei e magoei-te. Desnecessariamente, mas errei. Não posso voltar atrás, assim como não posso fazer com que dês importância às minhas palavras, que no meio de tanta confusão acabam por não valer absolutamente nada.
  Tremi de tão nervosa. Chorei de tão irritada. Eu encontrava-me triste, triste como nunca me encontrara antes desde que estavas do meu lado.

23 novembro 2013

 É difícil. Não consigo lembrar-me claramente de como eu era antes de entrares na minha vida.
 Achamos as coisas tão simples que deixamos tudo seguir um caminho que não queremos na verdade controlar. Deixamos que faça as escolhas por nós, sem quem coloquemos grandes expectativas, sem que pensemos nas desilusões...
 Um dia, aquilo que imaginava antes de adormecer, realizou-se. Não de forma repentina, mas aos poucos fui percebendo que não era um rapaz qualquer que me fazia companhia e me ajudava com tudo o que precisasse, sem pedir absolutamente nada em troca. Um sorriso contava-lhe muito de mim, e eu pensei no quão fácil foi passar-lhe a maneira de como o meu eu complicado se comportaria. Aprendeu mais coisas com o passar do tempo, assim como eu.
 E do nada, sem que controlasse a tua chegada, sem que especulasse o que seria o nosso futuro, sem que tivesse medo que um dia fosses embora, tu ficaste, do meu lado, até agora!
 Se me lembro dos meus dias antes de entrares na minha vida? Como poderia eu lembrar-me se tornaste os últimos quinhentos e noventa e sete dias, os melhor da minha vida?

16 novembro 2013

 Eu esqueço-me de mim, às vezes. Acho que se der importância a todas as pessoas que me rodeiam e contribuir para que o seu dia seja melhor, que não preciso de pensar em mim. Lendo e pensando bem no que acabei de escrever, até parece fazer sentido, mas a verdade é que não pensando em mim, o que dou aos outros, não é suficiente, ou dizendo por outras palavras, para nada mais me deite abaixo hoje, podia dar muito mais do que aquilo que dou.
 Até me deparar com aquilo com que realmente convivo, não me apercebo que as coisas não são exatamente como idealizo: os meus amigos não vão lá estar sempre para mim, os mais próximos vão embora e voltar assim que se magoarem, as discussões que provocam vão abalar a maneira como te sentes e moderar como deves tratar a próxima pessoa que se dirigir a ti. E eu? É suposto continuar sorrindo e mostrando que o facto de irem embora não muda nada em mim? E é suposto ainda, aguentar as instabilidades, agindo como se nada fosse, sabendo que por dentro estou despedaçada? 
 "O meu estou bem significa que eu estou inteira, estou de pé, mas não significa que estou feliz."

24 outubro 2013

Uma coisa que custa me muito: ver os meus amigos no sítio onde eu também devia estar.

18 outubro 2013

 Passaram duas semanas e confesso que esperava outro final. Acho que em alguma parte de mim, ainda existia uma pequena esperança, a que me movera inutilmente em direção a ti, que de certa forma, já nem estavas lá.
 A minha voz tremia quando proferi as minhas últimas palavras para ti. Arrependo-me de ter mostrado exatamente como me senti, não merecias ver-me verdadeiramente, mas não dava para fingir e muito menos esconder. Agradeço-me ainda assim, por não ter chorado e por ter tido a coragem de te olhar nos olhos e conseguir interpretar aquilo que poderia vir a ser a resposta nunca dita em voz alta. Eu preferia ouvir-te.
 Gostava que hoje tivesse a certeza que aquele ponto final nunca mais vira vírgula. Queria ter a certeza que aquele sentimento de desconhecidos não voltava a ter outro significado, qualquer que fosse ele. Queria ter a certeza de que me odeio por não te odiar. Mas não tenho essa certeza.

16 setembro 2013

 Sabem quando por algum motivo as coisas não vos correm da melhor maneira, ainda que se tenham esforçado para serem bem sucedidos?
 Recentemente tive de conformar-me com o meu reformulado futuro, não iria entrar na faculdade mas sim repetir o décimo segundo ano. Primeira reação: é só um ano, vais ver que nada muda. Digamos que durante os dois meses que se passei sem fazer nada no verão serviram para me habituar à ideia. Confesso que andava triste mas nunca imaginei que as coisas pudessem piorar assim que me deitasse na cama, no dia anterior ao meu primeiro dia de aulas. Caí em mim! Já não seria a turma com os meus amigos desde o primeiro ano, mas sim caras completamente estranhas.
 Eu acho que nunca vou conseguir explicar o porquê de tudo isto me afectar, mas sabem quando vêem os vossos amigos de infância seguirem para uma nova etapa da vida, da qual vocês não fazem mais parte? Sabem quando os nossos novos colegas só pensam na viagem de finalistas, experiência que junta todos os finalistas de uma escola e da qual, mais uma vez, eu não farei parte?
 Mas pelo menos, ainda o tenho a ele e a uma amiga para não me deixarem completamente deslocada.
 Já não me sentia assim há algum tempo. Perdida.

28 agosto 2013

 A distância faz-nos ser inseguros. Com o tempo é graças a ela que perdemos tudo o que estava preso por um único fio. É esse frágil fio que aguentamos inutilmente despedaçados. 
 Eu perco noção das vezes que engulo o orgulho para que algumas palavras surjam da parte dele... Penso que não chegara realmente a entender a sua importância. Sinto-me estúpida a maior parte das vezes, talvez por me expor demasiado a alguém que fechou as portas para mim. Destruo aquilo a que chamamos o nosso  suporte, aquele muro imaginável que me torna forte perante as pessoas que movem parte de nós para lugares que não desejamos. 
 Sempre me preocupei com o que ele pensara sobre a nossa amizade. Sempre tentei recuperar aquilo que, de certa forma, ele esquecera. E eu esquecera-me de mim! Esquecera-me de me perguntar o que realmente importava para mim, e essa é a pergunta mais importante! No entanto, tinha sido tão desvalorizada que custava só de pensar como tal pudera acontecer. Por vezes, temos de cruzar os dedos e deixar que as coisas aconteçam sem como's nem porquê's.

16 agosto 2013

 Mais ninguém além de mim, sabe o quão dificil é deixa-lo ir. Passar dias inteiros sem o ver, sentir a saudade a bater bem forte no final do dia, à noite, na minha cama, sem ele do meu lado.
 Dedicar-se por completo a alguém todos os dias, e ver o nosso coração apertado por saber que essa distância exige mais de nós. É ficar rabugenta e responder da pior maneira, é dar o devido espaço e deixa-lo divertir com os amigos, é esperar pelo melhor momento.
 Amor não tem pausas. Amor somos nós, aqui e no Japão, hoje e daqui a mil anos. 
 Amor é não conseguir adormecer devido à sua ausência, pegar num pequeno papel e escrever o que mais ninguém além de mim sente.

24 julho 2013

 Nós sentimos a necessidade de recomeçar quando o nosso consciente se mentaliza que nada mais pode ser feito. Nenhuma palavra volta à ordem que anteriormente se encontrava, e torna-se difícil pronunciá-las e aceitá-las sabendo que não farão qualquer sentido. A verdade é que nenhuma outra coisa se torna suficientemente importante ao ponto de haver a força de querer recomeçar não existindo motivos para isso. 
 Este pequeno texto começou com simples palavras quase sem rumo, e acaba com o teu nome nas entrelinhas.