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02 novembro 2015

  As pessoas desejam um novo ano para que possam construir novas memórias e associar a elas um novo número. Parece uma estupidez, e a verdade é que não passa disso mesmo, uma mentalidade retardada da sociedade de hoje. Confesso que a mim me assusta pensar que um dia não estaremos mais aqui. Será um mundo diferente, onde já não estarei eu. Nem eu nem todos os que conheci, conheço e conhecerei estarão aqui, e isso faz de mim uma pessoa fraca. 
  Por esta razão, sinto que dou mais valor agora. As coisas correram mal hoje? Amanhã será melhor. A semana foi pelo mesmo caminho? Porque não aproveitar o resto do mês? Para os que acham que a mudança de ano muda tudo, enganam-se. Poderemos mudar tudo já amanhã. Depende de nós mesmos. Temos dois meses para fazer boas memórias no ano de 2015. 
  Não vale de nada pedir 2016 se a nossa mentalidade continuará a mesma.

03 agosto 2015

 Custa acreditar que passou um ano. O primeiro. Dos mais difíceis, física e psicologicamente de sempre, provavelmente. 
 Descobri que conseguia andar semanas inteiras com um sorriso na face mesmo querendo ficar em casa, distante do turbilhão de sons e luzes da cidade. Habituada à calmaria da minha vila, a mudança foi radical. Após alguns meses o próprio organismo muda, as rotinas tardias e as comidas rápidas começam a fazer parte. O mau humor ao fim de um dia inteiro de cansaço é, também, inserido na minha vida com uma força tremenda. Queria conseguir explicar o que senti nesses dias longos, que pareciam não ter jeito de acabar, mas não consigo.
 Parece mais fácil agora, visto de fora, passadas algumas semanas, ainda assim não atenuo dor nos dias mais cansativos. Cresci imenso enquanto pessoa e estava realmente a precisar dessas mudanças. 
 Será melhor agora.